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O próximo CEO de uma grande companhia pode estar na favela, afirma Edu Lyra

Em bate papo com os especialistas da FESA Group, o líder da ONG Gerando Falcões falou sobre os desafios de levar oportunidades para os jovens das periferias brasileiras  

“A saída para os problemas do Brasil está nas favelas e periferias. O próximo CEO de uma grande companhia, talvez esteja ou tenha nascido hoje em um barraco. É preciso construir formas de entregar oportunidades reais e puxar esses talentos das pontas para dentro das companhias, é a forma de ter um Brasil pujante e protagonista no século 21”. Com esta fala o empreendedor social, CEO e fundador da Gerando Falcões, Edu Lyra, reforçou a necessidade de reduzir as distâncias sociais entre as empresas e os jovens que vivem nas milhares de favelas brasileiras, que aguardam uma oportunidade para vencerem as barreiras que hoje existem entre eles e o mercado de trabalho.

A conversa foi promovida pela FESA Group e contou com a participação do CEO, Carlos Guilherme Nosé, do diretor de Diversidade & Inclusão, Jaime Caetano de Almeida, e da CLO e cofundadora da Trillio Academy, Renata Schiavone. O tema central do bate-papo foi a importância das habilidades socioemocionais como ferramenta de inclusão e contou ainda com a participação de executivos e diretores de recursos humanos de todo o país.

Segundo Lyra, não existe apenas uma distância física entre favela e grandes empresas. “A distância de uma favela até a Faria Lima pode ser de uma hora e meia, por exemplo, mas a distância social é muito grande. Estou falando isso porque as empresas têm o papel de derrubar muros e construir pontes de oportunidades. O RH tem o poder de construir essas pontes de colaboração”, lembrou. 

Habilidades socioemocionais

Lyra destacou como as empresas podem se beneficiar das habilidades socioemocionais que os jovens de periferia desenvolvem ao longo da vida. “O que eles aprenderam para sobreviver nas favelas, por exemplo, isso é uma habilidade, é uma competência. Quando se fala de autoconhecimento é entender a sua cor, o seu cabelo, o seu sotaque, a sua capacidade de resiliência como habilidades fundamentais para o mercado de trabalho. Cada vez mais tenho tido o papel de lembrar esses jovens de que tudo o que viveram são habilidades das quais alguém pode pagar por elas”.

Liderar para engajar

E para conduzir os jovens neste processo de inclusão, Edu lembrou que as empresas e seus líderes precisam estar preparados. “O esforço pode te levar para lugares inimagináveis. Mas as vezes cansa ser incansável, por isso essas pessoas precisam de oportunidades. A gente combate desigualdade com oportunidade. E todo mundo aqui tem uma cadeira e um capital social e a gente precisa construir isso para ampliar oportunidades no Brasil. Essa liderança vai engajar as pessoas em torno de uma visão. O mundo, cada vez mais, precisa desse conjunto de escuta, empatia, da capacidade de recomeçar relações, de perdoar e de engajar pessoas”.

E a tecnologia pode ajudar a mudar o panorama dos jovens no Brasil. Segundo Lyra, ela é uma habilitadora para as pessoas se conhecerem mais e executarem melhor suas tarefas. “A Gerando Falcões, podemos dizer, é uma ONG Tech que investe muito em tecnologia, aprende no digital e executa no território. Somos um ecossistema de desenvolvimento social presente em quase quatro mil favelas do Brasil”. Ele lembrou ainda que a ONG está desenvolvendo um piloto com a Trillio Academy, startup do Ecossistema da FESA Group, para ajudar os jovens a desenvolverem suas habilidades socioemocionais.

“A nossa missão é levar educação de qualidade para as pessoas e a tecnologia nos possibilita chegar a muita gente. Fazer um projeto piloto com a Gerando Falcões tem sido muito gratificante e nos possibilita esta transformação em escala que a gente tanto precisa para gerar um impacto relevante na sociedade”, contou Renata.

De acordo com o CEO da FESA Group, esse propósito já é percebido nas lideranças do mundo corporativo. “As empresas buscavam na alta liderança, as famosas hard skills (competências técnicas), que tinham peso muito grande. Agora temos visto o foco mais no soft skills (habilidades comportamentais) e no alinhamento de propósito. As empresas e as pessoas ressignificaram o papel do trabalho no dia a dia e vemos esse equilíbrio da felicidade e da liderança inspiradora no trabalho”, explicou Nosé.

O diretor de Diversidade & Inclusão da FESA lembrou que para incluir estes jovens e ajudar a formar times diversos e de performance, todos precisam estar envolvidos. “Os recrutadores podem ter a melhor estratégia de contratação, mas se o contratante, a liderança que vai gerenciar essas pessoas, não tiver a pré-disposição de orientar e ajudar, não chegaremos ao sucesso. É preciso olhar diferente para os diferentes e cuidar”, enfatizou Jaime.

“Ainda não chegamos no mundo ideal, mas estamos avançando na consciência das empresas. Estou esperançoso com essa década e quem não entrar na caravana vai ficar para trás. Temos a responsabilidade de criar oportunidades”, finalizou Edu.

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