Recrutamento e Seleção
Potencializando a gestão humanizada com apoio da tecnologia
Gestão humanizada é o modelo de gestão em que a empresa usa dados, tecnologia e escuta ativa para entender as pessoas e sustentar decisões mais justas sobre contratação, desenvolvimento e retenção, sem substituir a relação entre liderança e equipe. A tecnologia pode viabilizar esse modelo ou afastá-lo dele, e o resultado depende da intenção com que ela é usada.
Para o FESA Entrevista desse mês, conversamos com Josiane Lima, profissional com mais de 15 anos de experiência em grandes varejistas, startups e empresas de benefícios. Hoje, é Diretora de Pessoas na Swile, empresa francesa de benefícios com 4 anos de atuação no Brasil.
Neste artigo, você conhecerá os principais pontos da conversa, que permearam o uso de dados na saúde mental, a relação entre cultura e resultado e as competências que consolidarão lideranças genuinamente humanas nos próximos anos. Boa leitura!
Qual o papel da tecnologia na saúde mental?
Para Josiane, o ponto central é usar a tecnologia para entender melhor as pessoas. Os dados permitem ao RH enxergar sinais e tendências que conversas e trocas isoladas não revelam.
Na prática, o RH pode cruzar indicadores como:
- turnover e absenteísmo;
- afastamentos;
- engajamento e resultados de pesquisa de clima;
- carga de trabalho;
- padrões na jornada do colaborador.
Uma forma eficaz de aplicar a tecnologia é construir mapas de calor a partir desses dados. Eles ajudam a mostrar quais áreas concentram mais pontos de atenção, onde os Business Partners precisam se aproximar e onde cabe um plano de ação diferente. A lógica é antecipar o desafio antes que ele se torne uma crise, trabalhando a saúde mental das pessoas de forma proativa, antes que o desgaste vire doença.
Há uma condição para que isso funcione: dado sem escuta não humaniza. A tecnologia precisa ampliar a capacidade de ouvir as pessoas e transformar essa escuta em decisões melhores.
A linha tênue entre usar a tecnologia para humanizar a gestão ou substituir esse cuidado
A diferença entre usar tecnologia para humanizar a gestão ou para substituir esse cuidado está na intenção. Empresas que praticam a gestão humanizada usam a tecnologia para liberar o RH e as lideranças do trabalho operacional. Com isso, sobra mais tempo para escuta, desenvolvimento e decisões que exigem sensibilidade e proximidade.
Já empresas que usam a tecnologia para substituir o cuidado humano tendem a transformar pessoas em dados, automatizar decisões sem contexto e reduzir a experiência do colaborador a processos e indicadores.
Josiane destaca ainda a personalização. Cada colaborador busca algo diferente, e o modelo one size fits all ficou para trás. Ao entregar informações mais apuradas, a tecnologia poupa tempo da liderança e viabiliza um cuidado sob medida, sem retirar da liderança o papel de humanizar a relação.
Cultura e resultado de negócio como agendas de pessoas
Cultura e resultado financeiro não são agendas apartadas. Decisões de pessoas afetam produtividade, inovação, retenção e experiência do cliente e, por consequência, o resultado da empresa.
Em um exemplo prático, uma contratação equivocada pode significar meses de baixa performance, impacto no time e um custo maior que o salário, já que envolve o tempo da liderança e da equipe. Da mesma forma, investir em desenvolvimento de lideranças, na experiência dos colaboradores e em um ambiente saudável parece uma decisão de RH, mas define a capacidade de executar a estratégia.
O caminho inverso também vale. Quando a empresa cresce, ganha eficiência ou muda de estrutura, precisa rever perfis, competências e cultura. O time que levou a companhia até um ponto pode precisar de upskilling para o próximo ciclo.
Por isso, o RH precisa estar próximo do negócio. A pergunta deixa de ser apenas como cuidar das pessoas e passa a incluir quais pessoas, comportamentos e formas de trabalhar a estratégia exige.
Como o contraste geracional pode fortalecer o ambiente de trabalho?
Algumas empresas já reúnem até 5 gerações em seu quadro de colaboradores. Para Josiane, o que diferencia os profissionais vai além da idade: habilidades, contexto, formação e background familiar e escolar. Essas diferenças também se complementam, e cabe à liderança identificar como isso acontece. Segundo ela, grupos mais plurais tendem a ser mais inteligentes.
As gerações com mais tempo de mercado trazem resiliência e a vivência de outros contextos de negócio. Quem está chegando sabe estabelecer limites com a liderança. Isso contribui para superar o modelo de comando e controle, que muitas vezes tornava a relação pouco saudável, e o aprendizado acontece nos dois sentidos.
Nesse cenário, times plurais exigem lideranças adaptativas, capazes de ajustar a postura conforme o contexto e de reconhecer onde cada geração contribui da melhor forma.
Erros mais comuns ao tentar modernizar a gestão de pessoas com tecnologia
Segundo Josiane, o erro mais frequente em conselhos e diretorias é implementar a tecnologia de cima para baixo sem avaliar o impacto humano. A pauta é acelerada em busca de produtividade e rentabilidade, quando a mudança poderia ser gradual.
Ela cita um hiato de percepção real no mercado: líderes de companhias costumam acreditar que a IA torna as equipes 60% mais produtivas. Na contramão dessa estatística, o The AI Proficiency Report, divulgado pela Section.AI em janeiro de 2026, mostra outro cenário: 86% das equipes economizam menos de 8 horas por semana com o uso da IA. A tecnologia deve ser transformacional, mas ainda é recente, e os efeitos colaterais precisam ser compreendidos.
Há ainda um segundo ponto. A atualização da NR-1 colocou a saúde mental no centro da agenda do RH, ao mesmo tempo em que a inteligência artificial ganhou espaço. Quando essas duas pautas caminham juntas, fortalecem o negócio e o RH. Quando avançam separadas, podem se tornar opostas. Por isso, o RH precisa estar à mesa nas discussões sobre os dois temas.
A influência da cultura de cuidado no employer branding
Um bom employer branding depende de coerência entre o que a empresa promete e o que o colaborador encontra ao chegar. Josiane observa que nenhuma organização precisa expor seus desafios, mas deve comunicar os pontos positivos que de fato existem.
Para chegar a essa comunicação, ela sugere perguntas simples:
- O que é importante para as pessoas que já fazem a diferença no negócio?
- O que já faz parte da cultura e pode virar programa?
- Como tornar as jornadas mais atrativas?
- Como comunicar isso para fora?
Na Swile, o time trata a própria empresa como um laboratório de testes para práticas de gestão de pessoas. Como a empresa conversa com o público de RH, as práticas internas geram aproximação e abrem portas para uma primeira conversa com clientes. Essa coerência também sustenta uma proposta de valor ao colaborador consistente.
Competências insubstituíveis para uma gestão genuinamente humanizada nos próximos 5 anos
Para os próximos 5 a 10 anos, Josiane aponta um conjunto de competências que nenhuma tecnologia deve substituir:
- olhar compassivo;
- criatividade;
- curiosidade;
- relação de confiança.
A curiosidade se traduz em perguntar às pessoas como fazem o que fazem e qual impacto isso gera. Já os rituais de gestão, como o one-on-one, precisam manter seu valor.
Josiane também lembra que o futuro está espalhado no presente. Cabe ao RH e à liderança observar os movimentos que já mudam a cultura da organização para acelerá-los ou frear o que for necessário. Isso exige um RH mais próximo das lideranças e lideranças mais próximas dos times. Segundo ela, saúde no trabalho é poder ser quem se é, algo simples de enunciar e difícil de praticar no dia a dia.
A gestão humanizada, com apoio da tecnologia, depende de escolhas: usar dados para escutar, liberar tempo da liderança para o contato humano e levar o RH para a mesa em que a IA é discutida.
A mensagem final de Josiane convida o RH a olhar essas duas pautas, inteligência artificial e saúde mental, como oportunidades. A atuação da área influencia a sociedade e o futuro do trabalho. Mesmo que a transformação não comece do jeito ideal, o importante é começar e evoluir a partir dela.
Na FESA Group, acreditamos que a gestão de pessoas estratégica une dados, escuta e uma liderança preparada para evoluir a partir de conexões genuínas. Para entender como apoiamos essa agenda, conheça nossas soluções.
Assista ao conteúdo completo
Para aprofundar os insights de Josiane Lima sobre gestão humanizada, tecnologia e saúde mental, assista à entrevista completa no formato FESA Entrevista.
Prguntas frequentes sobre gestão humanizada
O que é gestão humanizada?
Gestão humanizada é o modelo de gestão em que a empresa usa dados, tecnologia e escuta ativa para entender as pessoas e sustentar decisões mais justas sobre contratação, desenvolvimento e retenção, sem substituir a relação entre liderança e equipe.
Qual é a diferença entre usar tecnologia para humanizar e usar tecnologia para substituir o cuidado com as pessoas?
A diferença está na intenção. Empresas que humanizam a gestão usam dados para identificar sinais, antecipar necessidades e liberar a liderança do trabalho operacional. Empresas que substituem o cuidado automatizam decisões sem contexto e reduzem a experiência do colaborador a processos e indicadores.
Por que decisões de pessoas são consideradas decisões de negócio?
Decisões de pessoas afetam diretamente produtividade, inovação, atração, retenção e, consequentemente, experiência do cliente.
Quais os principais erros cometidos por conselhos e diretorias ao tentar modernizar a gestão de pessoas?
O erro mais comum é implementar a tecnologia sem avaliar o impacto humano. Ainda, tratar a gestão de pessoas como pauta apartada da gestão de negócios e implementação de tecnologia pode causar resultados aquém dos pretendidos.
Quais competências serão insubstituíveis para lideranças genuinamente humanas no futuro?
Conexão, criatividade, curiosidade e relação de confiança sustentarão uma liderança e uma gestão humanizada mesmo à medida que a tecnologia avança.
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